Modelo dos três círculos completa 40 anos
- ibgc em foco
- 19 de dez. de 2018
- 2 min de leitura
Empresa familiar é estruturada em dimensões: família, propriedade e gestão

Desenvolvido há 40 anos, o modelo dos três círculos se tornou uma importante ferramenta no planejamento, gestão e monitoramento dos negócios das empresas familiares. Criado em 1978 na Universidade de Harvard, pelo professor Renato Tagiuri e, pelo então doutorando John Davis, o modelo estrutura a empresa em três dimensões: família, propriedade e gestão. A dinâmica do relacionamento entre os parentes, os potenciais pontos de tensão e de que forma isso impacta os negócios podem ser analisados pela ótica desses três grupos. O modelo é aplicável em empresas de todos os portes, em qualquer segmento econômico e com a presença de diversas gerações na composição da família empresária.
No início dos negócios, quando o fundador está no comando da empresa, os três círculos são sobrepostos. Família, propriedade e gestão se misturam, pois os fundadores são proprietários, gestores e líderes. “As decisões ficam centralizadas em uma ou duas pessoas. Há menos complexidade nessa fase”, explica Eduardo Gentil, sócio da Cambridge Advisors to Family Enterprise e mediador do webinar realizado em 6 de dezembro.
O sistema progride nas gerações seguintes. Os círculos vão se distanciando, e as funções e responsabilidades entre os membros da família ficam mais distintas. Com o crescimento da empresa e aumento dos parentes, cada uma das dimensões do modelo se estrutura e ganha independência, com fóruns de discussão e decisão diferentes. “Cada um desses círculos tem sua própria governança e liderança. Porém, é importante que haja alinhamento e coordenação do sistema como um todo”, pontua Gentil.
No círculo familiar são criados os conselhos de família, separados da empresa, em que são discutidos os valores e propósitos da família empresária. Já o círculo da propriedade reúne os acionistas, com conselho próprio que discute a gestão do portfólio do negócio, o acompanhamento dos resultados, a definição sobre dividendos e reinvestimento, e a determinação do papel do conselho de administração.
O último círculo, da gestão, é representado pelo conselho de administração. “Pode existir sobreposição de indivíduos em cada um desses três fóruns, o que é importante para que haja comunicação e alinhamento dos grandes objetivos da família empresária”, diz Gentil.
Ana Karina, sócia da McKinsey & Company em São Paulo, ressalta a importância da governança em cada uma dessas dimensões. “A família cresce, o portfólio e a complexidade dos negócios também. Não se pode ter informalidade na governança dessas empresas”, alerta. Segundo ela, o grupo que consegue implantar uma boa governança tem melhor retorno para o acionista.
De acordo com Alexis Novellino, mestre em administração pela Universidade de Michigan (EUA) e pós-graduado em psicologia e mediação de conflitos pela PUC-SP, o fator-chave para o sucesso do empreendimento familiar é o alinhamento dos sócios e da família em temas fundamentais, como a visão de futuro do negócio, do patrimônio e da família empresária. Novellino destaca a importância da qualidade do relacionamento entre os parentes, que são um alicerce nos momentos de crise.
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