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Sustentabilidade deve sair dos relatórios e ir à prática

  • 6 de jun. de 2018
  • 2 min de leitura

Mais de 90% das 250 maiores companhias do mundo divulgam relatórios de sustentabilidade. A informação é de Tim Mohin, CEO do Global Reporting Initiative (GRI), empresa internacional que estabelece padrões e diretrizes para elaboração de relatórios de sustentabilidade amplamente adotados no mundo. O percentual, no entanto, não retrata um cenário ideal. Apesar de divulgarem o documento, poucas empresas adotam políticas sustentáveis no dia a dia.


“Há um distanciamento entre o que diz o relatório e a rotina da empresa”, diz Célia Rosemblum, editora de projetos especiais do jornal Valor Econômico, durante o debate sobre sustentabilidade e governança corporativa, realizado no auditório do IBGC, em 16 de maio. Sem citar nomes, ela comentou o caso de uma das empresas envolvidas nas recentes operações da Polícia Federal. Uma delas apresentava métricas de sustentabilidade que, nos relatórios, mostravam-se perfeitas. “Existe diferença entre transparência e relatórios de sustentabilidade e, em alguns casos, essa lacuna é muito grande”, concorda Mohin. A melhoria está nas mãos do mercado. “Não se pode esperar que relatórios solucionem problemas”, sentencia.


Falta conhecimento

Outro ponto crítico é a falta de preparo dos conselheiros. Luzia Hirata, analista do Santander Asset Management e integrante do grupo de trabalho de sustentabilidade da Anbima, conta que é comum não encontrar executivos qualificados para lidar com o tema. Algumas companhias, relata a analista, estão expostas a questões críticas envolvendo sustentabilidade.


“São poucos os conselheiros que realmente entendem de sustentabilidade”, confirma Heloisa Bedicks, superintendente geral do IBGC. Uma pesquisa feita sobre o perfil dos conselhos de administração, realizada pelo instituto em 2016, mostra que 78% dos conselheiros têm formação em engenharia, administração, economia e direito. “Governança e sustentabilidade não estão no conteúdo curricular desses cursos”, analisa Heloisa. Outro dado da pesquisa que mostra a baixa prioridade dada aos indicadores ASG é o ranking dos temas mais discutidos pelo board. Sustentabilidade aparece na nona posição e governança, na sexta. No topo estão auditoria, finanças, remuneração e risco. “No discurso, os temas ASG sempre aparecem como muito relevantes, mas os critérios econômicos e a pressão por resultados de curto prazo prevalecem”, completa.


Sonia Favaretto, diretora de comunicação e sustentabilidade da B3, tem uma visão otimista. Segundo ela, que também atuou como mediadora do debate, é possível que o tema ganhe espaço nos conselhos de administração. “Houve avanços significativos na compreensão do valor da agenda ASG para credibilidade, reputação, redução de riscos, economia de recursos e otimização de processos”, avalia.


 
 
 

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