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Conselheiro, conheça uma startup de tecnologia

  • 6 de jun. de 2018
  • 3 min de leitura

A adaptação das companhias ao mundo digital é um caminho sem volta. “Para muitas delas, é a única forma de continuar crescendo”, sentencia o publicitário Marcelo Tripoli, vice-presidente de digital da McKinsey & Company e palestrante do 73º Encontro de Conselheiros Certificados IBGC, realizado em São Paulo, no dia 7 de maio. A adaptação ao mundo digital também exige novas competências dos boards. O conselheiro não precisa se tornar um especialista em marketing de influência, inteligência artificial, big data ou qualquer outra tecnologia da moda. É necessário, no entanto, estar disposto a conhecer modelos de negócios baseados no mundo digital, além de dedicar tempo ao processo de aprendizagem. Segundo Tripoli, as startups de tecnologia são um rico celeiro de informações e experiências. “O conselheiro deve visitar, investir ou fazer parte do conselho de administração de uma delas”, recomenda.


Tripoli adianta que o processo de transformação digital nunca é indolor. “As empresas são obrigadas a mudar conceitos e processos adotados há anos, décadas. O desconforto faz parte do processo, independentemente do tamanho e do setor de atuação da companhia”, avisa. Confira, a seguir, a entrevista concedida pelo publicitário:

Quais as maiores dificuldades das companhias que encaram a transformação digital?

Marcelo Tripoli – Empresas embarcam neste processo porque, para muitas delas, é a única forma de continuar crescendo. As mudanças acontecem de fora para dentro simplesmente porque os clientes dessas companhias mudaram. Não é um processo fácil, simples ou rápido. O desconforto faz parte. Na transformação digital, qualquer empresa, independentemente do setor, é desafiada a questionar a maneira como atua. São exigidas muitas mudanças na cultura interna e até nas relações interpessoais dentro da organização. É necessário desenvolver capacidades que não faziam parte da rotina.

Como você avalia o preparo dos conselheiros que estão diante desse ambiente de ruptura?

Como consultor, normalmente tenho contato com o CEO, que é quem opera o processo de transformação digital. O conselho de administração não está muito envolvido nesse processo. Não tenho iteração cotidiana [com o board], mas sinto que precisamos de pessoas que conheçam o mundo digital. Não sei se minha impressão está correta, mas vejo conselhos muito homogêneos. Os membros têm sempre o mesmo perfil. É necessário absorver profissionais com experiências mais diversificadas. A pergunta que eu faço é: quantos conselheiros da sua organização têm experiência prática em transformação digital? Não é com um curso que se aprende como isso funciona. Se o conselho não tem profissionais com experiência, fica difícil sensibilizá-lo sobre a importância do tema.

É necessário ter conhecimento técnico para atuar em processos de transformação digital?

Boas estratégias só são estabelecidas quando há conhecimento técnico. Para ser um fotógrafo é preciso saber como a câmera funciona. Não é suficiente ter somente senso estético. Não estou dizendo que o conselheiro precisa fazer um trabalho operacional de marketing digital, por exemplo, mas ele tem que entender o tema. Não dá para ler uma matéria de revista e dizer que já sabe como funcionam os negócios digitais. Esse universo é riquíssimo e muda muito rápido. Ele não vai conseguir acompanhar o ritmo de inovação se não estiver disposto a adquirir novos conhecimentos e dedicar tempo a esse processo.

Em quais temas o conselheiro atento ao mundo digital deve se aprofundar?

Não é necessário focar nos assuntos que estão em voga. O mais importante é que o conselheiro saiba como as startups funcionam. O ecossistema das startups de tecnologia é ótimo para quem deseja ver, na prática, como o digital está gerando rupturas em várias indústrias. O conselheiro deve visitar, investir ou fazer parte do conselho de administração de uma delas. Também é importante conversar com empreendedores e entender como eles estão ganhando marketshare e interagindo com o consumidor, quais são as ferramentas que usam, como atraem talentos. O conselheiro precisa entender a cultura organizacional das startups.


Quais são as competências necessárias para atuar em um processo de transformação digital?

Dois componentes são importantes, não só para conselheiros, mas para qualquer pessoa. Um é a curiosidade. Conhecer coisas novas, ir atrás de informações e falar com pessoas diferentes. Outro, a empatia. As pessoas gostam de conviver com iguais, não querem lidar com quem pensa diferente. Alguém com curiosidade e empatia tem grande diferencial competitivo no mundo em que vivemos hoje.


 
 
 

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